terça-feira, 20 de setembro de 2011

Cracolândia


Entre os detritos e lixos
restos de seres humanos
apodrecem num canto só
mortos ainda vivos
vivem em situação de dó.

Loucos, abandonados
o que lhes restam então
são pobres perambulantes
presos na escravidão.


A vida lá não tem perdão
são consumidos entre
os detritos pela fumaça
da solidão.

De dia são andarilhos
de noite em reunião
todos numa só voz
a voz da depressão.

Abstinência não é dependência
pra' eles excitação
alucinados, enfurecidos
paranoicos cachimbo na mão.


Pra velhos e crianças a vida é uma só
como ratos em labirintos
estão perdidos no tempo
no submundo da escuridão.


Cracolândia...impiedosa
cidade da condenação
como se não bastasse
ainda rouba-lhes o coração.

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